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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Dois anos de Inconfidentes - Cervejarias Conjuradas


2013

2015

Dois anos se passaram desde a primeira produção no dia 21 de Abril de 2013. Nesta data, para celebrar a união dos cervejeiros caseiros da Grimor, Jambreiro e Vinil, foi produzida a Derrama - cerveja do estilo wit ipa; a primeira a ser feita na planta da Inconfidentes - Cervejarias Conjuradas.
De lá para cá, mais 11 rótulos se somaram ao portfólio, muitas participações em feiras e eventos cervejeiros, várias visitações guiadas à fábrica, muitas alegrias e algumas "ressacas". E como tudo evolui, a foto de 2015 já nos monstra com os copos cheios nas mãos, brindando à saúde e ao prazer de se fazer o que gosta com carinho.
Parabéns aos conjurados! Muitos anos de vida!

domingo, 12 de abril de 2015

Pints ao alto!!!


Dia 18 de Abril a Cervejaria Inconfidentes comemora seus dois anos de produções das cervejas Grimor, Jambreiro e Vinil. Venha brindar conosco ao som do Clube do Lp, show de Daniel Lima e petiscos do Era Uma Vez Um Armazém!
Festa na rua, das 13 as 20h, entrada franca. Agende-se!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

"Faça sua cerveja em casa", segunda a revista Galileu

A Cervejaria Inconfidentes (Grimor + Jambreiro + Vinil) participando da história da cerveja no Brasil.

Veja a matéria completa aqui: Galileu

Aquela cervejinha não é mais a mesma. Nem cabe no singular: são cervejinhas. O mercado da bebida mais popular do mundo vem mudando bastante nos últimos anos — e essa tendência está chegando ao Brasil. Surgiram cervejarias que começaram a fazer receitas diferentes e importadoras que foram além das garrafas coloridas. As pessoas descobriram que produzir sua bebida em casa é possível e bem fácil; e algumas decidiram até fazer do hobby negócio, abrindo fábricas para produzir as receitas antes limitadas à cozinha.

Grande parte das novas cervejarias artesanais do mundo é de gente que começou cozinhando a bebida em panelões caseiros. “Está mais para cozinhar que para fazer vinhos”, explica Garrett Oliver, mestre cervejeiro da Brooklyn, do bairro homônimo de Nova York. É nas panelas de casa que muito cervejeiro experimenta criações antes de levá-las às fábricas. E para fazê-las bastam panelas, fogareiro, ingredientes e paciência. As instruções cabem numa folha de papel impressa (ou em duas, como mostramos no infográfico desta matéria). Transformar água, malte, lúpulo e leveduras em cerveja é um processo imutável há séculos e, da casa para a fábrica, o que muda é a escala de produção e o esforço para manter o padrão — algo no qual as grandes companhias investem milhões por ano e os cervejeiros artesanais suam para conseguir.

A tendência das artesanais já não é novidade nos EUA há pelo menos uma década. E as mais de 3 mil cervejarias no país vêm do fato de haver, segundo a Associação Americana de Cervejeiros Caseiros, mais 1,3 milhão de pessoas cozinhando maltes e lúpulos por lá. Por aqui, nos últimos anos, nosso Ministério da Agricultura já registrou mais de 2.700 receitas diferentes (veja o mapa ao lado), muitas delas feitas em casa e por gente ainda à espera para transformar seu hobby em negócio. Com duas cervejas lançadas — a Júpiter American Pale Ale e a India Pale Ale —, o cervejeiro David Michelsohn cria suas receitas no seu próprio fogão. “Hoje você não precisa juntar mais dez amigos para comprar ingredientes”, diz. “Basta ir às lojas e ver o tanto de blogs e sites que existem — há muita informação para quem quer fazer cerveja boa.”

Se fazer é fácil, viver dela no Brasil ainda é uma realidade em formação. “O mercado está aquecido por causa do crescimento da economia em geral”, continua Marcelo Carneiro, da Colorado, em Ribeirão Preto. “Todo mundo está ganhando dinheiro em uma coisa e querendo investir em outra.” Os impostos são altos, a distribuição é cara e o mercado tende a ter cada vez mais marcas e mais competição. “A partir do momento que você monta uma empresa, tem toda uma estrutura extremamente complexa a lidar”, diz Alessandro Oliveira, da Way Beer, de Curitiba. Ele também começou nas panelas. Era importador de acessórios de grifes italianas quando cansou de moda e decidiu abrir uma cervejaria para chamar de sua. Montou a fábrica com capacidade para 30 mil litros mensais com quatro amigos em 2010 e, três anos depois, já duplicava sua capacidade de produção. “Isso só aconteceu porque tínhamos um plano de negócios bem definido. A ideia sempre foi começar pequeno, pensar grande e crescer rápido.”

Entre fãs de cerveja artesanal americana, o norte-americano Sam Calagione é considerado um Steve Jobs deste mercado. Sua cervejaria, a Dogfish Head, tem fiéis fanáticos como os da Apple: lançamentos das cervejas sazonais são aguardados ansiosamente, já há clássicos que seguem reverenciados e Sam é bom de papo e marketing. Atualmente sua cervejaria é a 20ª maior dos Estados Unidos, 13ª entre as artesanais, com produção de 26 milhões de litros por ano e mais de 33 receitas em linha de produção. Sua primeira brassagem (“brassar” é fazer cerveja, deriva do francês, brasserie, que nada mais é do que o lugar onde se faz e bebe cerveja) foi suficiente para que ele decidisse fazer da cerveja seu ganha-pão. No porão do apartamento de um amigo em Nova York, jogou malte, água e lúpulo em uma panela e, depois de experimentar sua criação, subiu à mesa e gritou: “Quero viver fazendo isso”. Dois anos depois, em 1995, abria a Dogfish Head.

Apesar da competição, sobreviver de cerveja no mercado americano é mais fácil que aqui. Uma Dogfish Head num supermercado em Delaware, estado onde fica a fábrica, custa centavos de dólar a mais que uma industrializada, enquanto, no Brasil, o preço de uma artesanal pode ser até cinco vezes maior. O sistema de taxação americano é responsável pelo feito. Lá, as cervejarias pagam impostos de acordo com o volume de produção. Aqui entra tudo no mesmo engradado e os impostos chegam a quase 45% do preço da cerveja que vai para o copo. Os custos de produção são mais baixos, também por conta do sistema tributário. “Consigo mandar minhas cervejas para alguns lugares dos EUA com o preço igual ou menor do que eu vendo aqui”, diz Carneiro, da Colorado.

Fora que não somos tão bons de copo como gostamos de achar: bebemos, em média, 70 litros de cerveja por ano, enquanto os checos — campões do mundo neste assunto — bebem 156 litros por ano.

Ainda assim, o mercado aqui cresce com desenvoltura. As cervejas de encher engradado, mais comuns nos bares, viram suas vendas crescer 5% em 2012; as premium, 13%; e as artesanais passam dos 20%. Só importadoras no Brasil são pelo menos 30 (entre 2005 e 2010, as importações cresceram 538%), trazendo mais de 600 rótulos diferentes. Ao todo, em 2012, foram produzidos 13,7 bilhões de litros de cerveja, mas somente 0,15% deste total são artesanais. A expectativa é que daqui a 10 anos, este mercado no Brasil chegue aos 2% da produção nacional.


RACHANDO O PREJUÍZO
Mas antes de ter uma cerveja, é importante ter uma cervejaria. Ela não precisa ser sua, mas só dá para obter registro da cerveja no Ministério da Agricultura com uma cervejaria. Para isso é preciso abrir uma empresa e registrar a marca no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual. A solução para alguns cervejeiros que queriam colocar suas criações na rua, mesmo com toda a burocracia e carga fiscal, foi resolvida como a conta na mesa de bar: divide-se o prejuízo. As mineiras Grimor, Jambreiro e Vinil uniram forças para montar a Inconfidentes — Cervejaria Conjurada em Nova Lima (MG). Panela para cozinhar o malte, tanques de fermentação e modificações no imóvel para a implantação da fábrica custaram quase R$ 800 mil, rateados entre as três. “Todos [na Inconfidentes] somos da Acerva Mineira. Os cervejeiros caseiros já nasceram nesse clima de associação, compartilhando conhecimento”, diz Paulo Patrus, um dos sócios da Inconfidentes.

Outra estratégia é usar a fábrica alheia. Com a Jupiter é assim. A cervejaria assinou um contrato com a Dortmund para produzir a Jupiter APA e com a Invicta para fazer a Jupiter IPA, ambas do interior de São Paulo. No dia de fazer suas cervejas, David vai pessoalmente até as cervejarias e comanda a produção. “É importante negociar litragem, periodicidade, pagamento e detalhes que podem variar de uma produção para outra”, explica.



Distribuição é outro gargalo. Aumenta até duas vezes o preço final da cerveja, obrigando o produtor a jogar o lucro para baixo. DUM, Morada Cia Etílica, Pagan, F#%*ing Beer e Tormenta, de Curitiba, resolveram tomar as rédeas da distribuição e se uniram para criar a Liga das Cervejas Extraordinárias. “Será nossa plataforma de comercialização”, explica André Junqueira, da Morada. “Queremos encurtar a distância entre quem faz cerveja e quem bebe. E, como independente, podemos negar pontos de venda e distribuidores regionais se achamos que não tratam bem nosso produto.”

E isso é só o começo dessa nova fase: “Há um frenesi no mercado de cervejas artesanais, o setor está em expansão, mas tem muito cervejeiro que não colocou as contas na ponta do lápis”, diz Carneiro. Pode parecer pouco, mas se a projeção de 2% do mercado total de cerveja para as artesanais se confirmar em dez anos, sobrarão motivos para comemoração. Em 30 anos, desde a retomada do mercado artesanal americano até hoje, as cervejarias artesanais americanas conseguiram abocanhar 10% do mercado total. Isso significa que vem ainda muita novidade por aí. Por isso, evite perguntar “você gosta de cerveja?”, pois a pergunta pode soar tão genérico quanto “gosta de música?”. A resposta pode vir numa taxinomia complexa: estilo, país, cervejaria, tipo de lúpulo, maltes e até ano de produção. São 78 estilos individuais e dúzias de subcategorias já catalogados — e como com cerveja é comum o mashup de estilos, esse número cresce como espuma. Saúde!


FEITAS EM CASA

Como só é possível obter registro para vender a bebida abrindo uma cervejaria (mesmo que ela não tenha uma fábrica), há mais registros de artesanais pelo Brasil que de fábricas. A Gauden Bier, de Curitiba, por exemplo, produz fórmulas próprias e de outras artesanais — o que ocorre com a Invicta e a Dortmund, no interior de São Paulo. Há mais de 2.700 registros de cerveja no Brasil, mas isso não significa que haja 2.700 marcas no mercado. Isso porque muitas das cervejarias correm para fazer o registro dos produtos antes mesmo de começar a produzir as receitas. O Ministério não faz separação entre artesanal e industrial, tudo é computado dentro do mesmo engradado. Apesar dos quase 20 anos de cerveja artesanal no Brasil, o mercado começou a crescer com vigor apenas nos últimos cinco anos, quando novos rótulos se espalharam. Selecionamos e mostramos no mapa ao lado algumas das principais marcas artesanais do país (que se concentram no Sul e no Sudeste) e o número de rótulos registrados em cada uma delas.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Sótão do Vovô

Nesta sexta-feira, dia 23/08, o Grampa's Attic inaugura o terceiro bico de sua trave de chopes. A partir desta data, as conjuradas Cerveja Grimor, Companhia Cervejaria JambreiroCerveja Vinil se revesarão apresentando suas crias. Mas para inaugurar, que tal a Inconfidentes Derrama Wit IPA, breja feita de maneira colaborativa entre as três marcas? Curioso, então agende-se!


domingo, 2 de junho de 2013

Nova Lima vira polo cervejeiro e ganha primeira ‘cooperativa’

União de sete cervejeiros amplia produção de 300 litros para 12 mill no mundo

PUBLICADO EM 02/06/13 - por CRISTINA MORENO DE CASTRO, para Jornal O Tempo

Fabrício Bastos, Daniel Martins, Virgílio Barros e Ricardo Marques são alguns dos sócios

Era Dia de Tiradentes, 21 de abril, quando foi produzida a primeira “fornada” de 1.600 litros de cerveja da Inconfidentes Cervejarias Conjuradas – o nome não foi escolhido por acaso, como se vê.

Trata-se de uma receita inédita, que mistura os estilos belga e norte-americano, bolada pelas três microcervejarias – Grimor, Jambreiro e Vinil – que são sócias do empreendimento, para simbolizar sua união.

O modelo de produção da Inconfidentes também é inédito no Brasil. Funciona como uma cooperativa, mas não pode receber esse nome, porque, segundo a legislação, seria preciso haver ao menos 20 cooperados. No caso da Inconfidentes, são sete sócios, que trabalham num sistema “colaborativo”, para baratear os custos com o compartilhamento da estrutura da microindústria.

“É a primeira vez que cervejeiros caseiros criam esse formato para organizar o negócio. Já somos procurados por outros cervejeiros do Brasil inteiro para explicar como é o processo”, diz Paulo Patrus, 29, um dos sócios.

“O modelo é de grande valia e acreditamos que seja uma excelente saída para trazer mais produtores para o mercado formal”, diz Cristiano Lamego, superintendente do SindBebidas-MG.

Antes de se juntarem, as três microcervejarias alcançavam 300 litros por mês – com a Inconfidentes, esperam chegar agora a 12 mil, de seis estilos. O investimento inicial foi de R$ 800 mil.

A fábrica fica num galpão de 220 m² em Nova Lima (região metropolitana), cidade com quatro das 23 microcervejarias registradas em Minas, que está virando um polo à parte. “A prefeitura de Belo Horizonte não liberou o empreendimento. Já em Nova Lima, a própria prefeitura apostou que a cidade se tornaria um polo, e facilita”, diz Paulo.

Entre os sete sócios, há biólogos, dentistas, um engenheiro e um designer, e todos entraram no nicho por hobby. Até criarem a Inconfidentes, foram 18 meses de conversa e pesquisa. “O mercado está totalmente aberto. Minas vai virar o maior polo de fabricação de cervejas artesanais – e muito rápido”, aposta o sócio Ricardo Marques, 56.

A fábrica será inaugurada oficialmente neste mês, com venda das marcas em bares e casas especializadas, em garrafas e chope.


Minas é a ‘Bélgica brasileira’

Polo de microcervejarias e com grande variedade, Estado já é o segundo maior produtor do Brasil

A todo momento surgem novas microcervejarias em Minas; na foto, Ricardo Marques, um dos sócios da Inconfidentes, que fez sua primeira produção em 21 de abril

A tradicional pilsen, que era a única opção do consumidor de cerveja até poucos anos, hoje divide a prateleira dos mercados e bares com a stout, porter, weissbier, bock, ale e tantas outras. Em Minas, a diversidade e os troféus de premiações internacionais são tantos que o Estado passou a merecer o apelido, entre cervejeiros, de “Bélgica” brasileira, em alusão ao país europeu de grande tradição no produto.

Além da variedade, Minas é o segundo Estado produtor de cervejas especiais, em volume – atrás apenas de Santa Catarina –, segundo Cristiano Lamego, superintendente do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais (SindBebidas-MG).

Ele diz que há hoje 130 microcervejarias registradas no país, sendo 23 (18%) em Minas, onde o nicho cresce a 20% ao ano. Responsável por fiscalizar o setor, o Ministério da Agricultura não diferencia as microcervejarias das grandes, como a Ambev, e diz haver 242 cervejarias registradas – nesse levantamento, Minas fica em quarto lugar.

“As microcervejarias encontraram um cenário propício para crescimento em função da procura do consumidor por produtos diferenciados e de alto valor agregado”, diz Lamego. A produção mensal atual é de cerca de um milhão de litros no Estado – e deve crescer ainda mais, com incentivos de prefeituras como a de Nova Lima, onde novas fábricas surgem a todo momento.

A Backer, por exemplo, pretende mais do que dobrar a capacidade de sua fábrica, no bairro Olhos D’água, na capital, dos atuais 1.900 m² para 4.000 m², até o fim do ano – a tempo da Copa do Mundo. Paula Lebbos, uma das sócias da microcervejaria, aplaude a expansão desse nicho no país, que hoje já responde por 5% de todo o setor cervejeiro.

Ela se lembra que, quando a Backer foi criada, há 15 anos, só havia a recém-surgida mineira Krug Bier e outras duas marcas com relevância no país. Ela começou com seis funcionários e seis tanques, para um produção mensal de 12 mil litros, e hoje possui 70 funcionários, 15 tanques e fabrica 270 mil litros de cerveja por mês. “O boom das microcervejarias nem aconteceu, vai acontecer daqui a um tempo ainda”, aposta Paula.

Luiz Vicente Mendes, diretor-comercial do Brasil Bier, concorda: “A tendência é crescer. Nos Estados Unidos, já são 4.000 microcervejarias e o movimento no Brasil só estava começando há seis anos, quando surgiu o Brasil Bier”.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Brassagem inaugural da Inconfidentes


Vinte e um de Abril de 2013, as 22:58h iniciou-se a fervura da primeira produção da microcervejaria em uma data emblemática para os mineiros, depois de 17 meses de projetos e obras, erros e acertos.
Um brinde à Inconfidência Cervejeira!
Lela, Paulo, Raquel, Daniel, Aline, Humberto, Ricardo, Virgílio e Fabrício.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Caderno Paladar, do Estadão.com

Inconfidência cervejeira

23 de janeiro de 2013 por Por Roberto Fonseca para o Caderno Paladar

Montar uma cervejaria no Brasil não é tarefa simples. Além da burocracia e dos impostos, reclamações constantes do setor, a conjunção de criatividade e habilidade com recursos financeiros é tão ou mais complexa do que a mistura de água, maltes, lúpulos e leveduras que dá origem a algumas das melhores fermentadas do planeta. Um desses fortuitos momentos ocorreu no fim de 2011, em Minas Gerais, reunindo na mesma mesa sete produtores caseiros ligados a três marcas: Grimor, Jambreiro e Vinil. Mais de um ano depois, a Inconfidentes, uma cooperativa cervejeira, faz os ajustes finais para o início de sua operação, estimado para meados de fevereiro.


Juntos. Produtores caseiros de Minas Gerais se reuniram para fundar cooperativa cervejeira. FOTO: Divulgação

Instalada em Nova Lima (MG), a Inconfidentes tem como sócios três empresas ligadas aos cervejeiros caseiros. Juntos, eles compraram uma panela de brassagem (produção cervejeira) de 2 mil litros e seis tanques de 2 mil litros cada um. “O tamanho é até maior do que precisávamos, mas como somos uma cooperativa e teremos um cronograma de uso do equipamento, o ideal é que cada cervejaria produza o máximo possível a cada vez que trabalhar”, afirma Paulo Patrus, da Grimor.

Ele estima que, uma vez operacional, a cervejaria tenha capacidade mensal de até 24* mil litros. Só equipamentos e as modificações no imóvel para a implantação da fábrica custaram entre R$ 700 mil e R$ 800 mil. Cada cervejaria da cooperativa, segundo Patrus, vai produzir suas próprias receitas, mas a primeira deve ser feita a 14 mãos. “Queremos fazer uma cerveja nova, com a cara da Inconfidentes, que poderá se tornar uma sazonal. Ainda não definimos o estilo.” Faz parte do projeto engarrafar as cervejas para atender a outros Estados.

Para Patrus, a cooperativa é uma opção estratégica para os cervejeiros caseiros que pensam em se profissionalizar. “Todos (na Inconfientes) somos da AcervA Mineira (entidade que reúne produtores caseiros) e convivemos há muitos anos, temos a mesma filosofia. Os cervejeiros caseiros já nasceram nesse clima de associação, compartilhando conhecimento”, afirma ele, que, com Gabriela Montandon, compõe a Grimor. Também são da Inconfidentes Humberto Ribeiro Neto, da Jambreiro, e o quarteto da Vinil Fabricio Bastos, Virgilio de Barros, Daniel Pinheiro e Ricardo Marques.

* Errata: na verdade a produção inicial será de 12 mil litros/mês.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Com doze fábricas de cervejas artesanais, Minas Gerais vira a Bélgica brasileira

Estado já é o segundo no ranking de produção do país, com quase 1 milhão de litros por mês

por Rafael Rocha, em Veja BH | 02 de Janeiro de 2013 

Dos 120 estilos existentes no mundo, 55 são reproduzidos por aqui: quase 1 milhão de litros por mês

Hervig Gangl, um austríaco que conheceu uma belo-horizontina no deserto do Iraque e, apaixonado, se mudou para cá, administrava uma pedreira. Marco Falcone era diretor em uma empresa no ramo de energia elétrica. Paula Lebbos tinha uma boate. Os irmãos Tiago e José Felipe Carneiro cuidavam da rede de lanchonetes do pai. Ana Paula Ribeiro, doutora em fisiologia, era pesquisadora. Todos eles mudaram o rumo de sua vida por causa da bebida feita de lúpulo, malte e leveduras que é a predileta dos brasileiros. Graças a empreendedores como esses, Minas Gerais ocupa hoje o segundo lugar em produção de cervejas artesanais do país — perdemos apenas para Santa Catarina. Doze fábricas e cerca de setenta cervejeiros caseiros são responsáveis pelo protagonismo que vem rendendo ao estado o epíteto de Bélgica brasileira. Dos 120 estilos existentes no mundo, 55 já são reproduzidos por aqui. Todos os meses, 1 milhão de litros saem dos tanques mineiros. "Os fabricantes não estão dando conta de atender à demanda do mercado", diz Cristiano Lamego, superintendente do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral de Minas Gerais (Sindbebidas). Em 2012, as vendas cresceram 20% em relação ao ano anterior. "Nossa expectativa é que o número de fábricas dobre até 2015", informa Humberto Ribeiro, presidente da Acerva Mineira, entidade que reúne os cervejeiros artesanais do estado. O próprio Ribeiro está abrindo uma nova unidade, a Inconfidentes, em Nova Lima, fruto da união de três cervejeiros caseiros como ele.

Visitar as microcervejarias da região metropolitana é mesmo uma experiência impressionante. Sem exceção, todas estão operando no limite da capacidade e passam por obras de ampliação. "Somos considerados de vanguarda porque fazemos receitas ousadas, com ingredientes nobres", afirma Marco Falcone, um dos nomes por trás da Falke Bier. O advogado sempre teve interesse pelo processo de produção da bebida, vivia fazendo cursos sobre o assunto e gostava de praticar em casa, por hobby. A primeira garrafa que produziu foi em 1988. Dezesseis anos depois, abandonou o emprego e apostou todas as fichas na abertura de uma microcervejaria, em parceria com os irmãos Ronaldo e Juliana. Instalada no condomínio Vale do Ouro, em Ribeirão das Neves, sua empresa produz 10 000 litros por mês e eles pretendem aumentar em seis vezes esse volume em 2013. "Tenho de recusar clientes", conta. Na fábrica, com fachada em estilo alemão e 2 000 metros quadrados de área, ele exibe orgulhoso os nove rótulos que criou, incluindo duas preciosidades da casa: a Falke Tripe Monasterium e a Vivre Pour Vivre. Em uma adega subterrânea, as garrafas da Monasterium repousam por 45 dias ao som intermitente de canto gregoriano. Falcone jura que as ondas sonoras da música trazem bem-estar às leveduras, deixando a bebida mais refinada. O preço de tanto requinte deixaria cambaleante até o papa Gregório: envasada em garrafa de champanhe, cada unidade custa, em média, 90 reais nos bares da cidade. Ainda mais salgado é o preço da Vivre pour Vivre, que é feita com jabuticaba e demora três anos para ficar pronta: 200 reais.

"As cervejas de alta qualidade são caras, mas valem a pena. É como comprar um vinho sofisticado", garante Lígia de Matos, uma das dez integrantes da Confraria Feminina de Cerveja (Confece), a primeira do gênero no país, fundada em 2007. Juntas, as moças já criaram duas marcas para consumo próprio, a Conceição e a Aurora. Uma vez por mês, elas se reúnem em algum bar para degustar as novidades do mercado mineiro e já são conhecidas de quase todos os cervejeiros daqui. Um endereço que está no roteiro delas é o da Krug Bier, no São Pedro, a mais antiga microcervejaria da cidade, aberta em 1997. A empresa fabrica hoje seis tipos de chope e cinco rótulos da cerveja Áustria, uma produção total de 2 200 milhões de litros por ano, boa parte dela distribuída em 140 pontos de venda na Grande BH. "Nos últimos cinco anos, nossa produção triplicou", comemora o fundador, o austríaco Hervig Gangl. Quando se mudou para o Brasil, ele investiu em extração de rochas ornamentais, mas percebeu que havia por aqui potencial para vender loiras, ruivas e morenas artesanais como as que seu pai produzia na Áustria. Deixou a pedreira sob o comando da mulher e focou no novo negócio.

Desde que Gangl fabricou seu primeiro barril, o setor cresceu a passos largos e também se sofisticou. São muitos os títulos conquistados pelas marcas mineiras. Em março, a Wäls levou três medalhas de ouro e foi eleita a cervejaria do ano durante o South Beer Cup, concurso sul-americano realizado em Blumenau (SC). "Foi o reconhecimento da nossa capacidade de inovação", diz o engenheiro de alimentos Tiago Carneiro, um dos donos. "A nossa cerveja é feita com amor. Esse é o diferencial", completa seu irmão José Felipe, um ex-relações-públicas que se tornou mestre-cervejeiro. Os dois se dedicavam à administração da empresa do pai, a rede de lanchonetes Bang Bang Burguer, e faziam chope apenas para venda nas próprias lojas. Em 2007, decidiram apostar em cervejas artesanais e abriram a Wäls. Hoje fabricam oito rótulos, a maioria deles em garrafas com rolhas, destinadas a um público disposto a pagar até 130 reais por garrafa.

Praticantes da arte marcial muay thai, os irmãos estão longe de ostentar a pancinha muito comum em apreciadores da cerveja. Eles têm sacudido o mercado com produtos surpreendentes, como a Wäls Petroleum, que é maturada com cacau belga e tem 12% de teor alcoólico, quase o triplo das convencionais, e a Wäls Brut, elaborada pelo mesmo processo de fabricação do champanhe. Somente outras três fábricas no mundo fazem cerveja pelo método champenoise. Recomenda-se harmonizá-la com ostras e lagostas. A versão geek desenvolvida em parceria com funcionários do Google (a Wäls 42, com amêndoas californianas, abacaxi, limão e café na receita) foi outra estripulia da dupla neste ano. O desafio do momento é a Saison de Caipira, a primeira no mundo à base de cana-de-açúcar, desenvolvida em parceria com o cervejeiro norte-americano Garret Oliver, da respeitada Brooklyn Brewery, que será lançada em janeiro.

Na esteira da multiplicação das microcervejarias, surgiu pela cidade uma gama de endereços especializados, com boas cartas de geladas artesanais. Há sete meses em funcionamento, a Drik, em Lourdes, é um deles. A loja aberta pelos amigos Manuela Menezes, André Winter e Tânia Nogueira tem 110 variedades à venda, com preços entre 6,50 e 199 reais. A distribuidora Mamãe Bebidas, na Floresta, também resolveu apostar neste nicho: reúne em seu estoque mais de 700 rótulos especiais, entre regionais e importados. Os empresários Juliano Caldeira e Samira Clemente são outros exemplos de empreendedores que enxergaram um filão nessa sofisticação dos hábitos dos belo-horizontinos. Em 2009, o casal abriu o Rima dos Sabores, no Prado, um bar que harmoniza com cervejas diferenciadas petiscos como cubos de avestruz marinados na cachaça e filé de cauda de jacaré com molho de cupuaçu. Conselheiro da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Caldeira é um dos que estão à frente do movimento para levar as marcas daqui para o resto do mundo. "Estamos tentando incluir as cervejas mineiras entre os produtos que serão apresentados no festival Madri Fusión", conta ele. O encontro gastronômico espanhol, considerado o maior do mundo, homenageará Minas Gerais em sua próxima edição, em janeiro. Os mestres daqui estão otimistas sobre a recepção que a nossa gelada pode ter no exterior. E há bons motivos para isso.

A microcervejaria Backer, por exemplo, começa a conquistar clientes em outro continente. "Os americanos ficam encantados com nossos aromas", diz Paula Lebbos, uma das donas. Em janeiro, ela despachará o primeiro contêiner para os Estados Unidos. Equilibrando-se em um salto altíssimo, Paula percorre a fábrica de 4 000 metros quadrados para supervisionar a obra que fará a capacidade de produção subir dos atuais 240 000 litros para 320 000 litros por mês. O endereço, no bairro Olhos d’Água, se transformará, a partir de março, em um grande complexo cervejeiro aberto à visitação, com restaurante, loja e sala de degustação. "A gente fazia chope para atender à demanda da Três Lobos. Não tínhamos a intenção de vender para fora", lembra Paula, referindo-se à extinta casa noturna na Avenida Raja Gabáglia, que tinha em sociedade com o marido, Halim Lebbos, e o cunhado Munir Khalil. O sucesso da bebida foi tanto que os três empresários resolveram deixar as pistas de dança. A famosa boate emprestou o nome à linha lançada no ano passado, com rótulos que levam capim-limão, casca de laranja e açúcar mascavo.

"Estamos criando um exército cervejeiro por aqui", brinca Felipe Viegas, dono da Taberna do Vale, uma nanocervejaria — como são conhecidas as fábricas ainda muito pequenas — no Jardim Canadá, em Nova Lima. Lá, ele produz sete tipos de chope, e pretende abrir um pub em 2013. Graças a uma lei municipal que permite a fabricação de cervejas artesanais em perímetro urbano, o que no resto do país está restrito aos distritos industriais, a cidade vizinha à capital vem atraindo vários empreendimentos. Estão previstos quatro novos negócios até o meio do ano que vem. Foi também no Jardim Canadá que os amigos Roque Santos, Matheus Quirino, Alencar Barbosa, Bruno Parreiras e Ana Paula Ribeiro (a doutora em fisiologia do início desta reportagem) resolveram abrir a Küd, que fabrica 5 000 litros de seis variedades especiais de chope com nomes inspirados na história do rock. Quem passar por lá e quiser experimentar uma tulipa, porém, vai ouvir a resposta que é um clássico nos botecos: "Tem, mas acabou." A produção deste mês já está toda vendida.

Receitas para gostos variados

Falke Estrada Real
Leva uma dose extra de lúpulo, o que lhe confere sabor bem amargo. Apresenta ainda notas amadeiradas e frutadas.

Wäls Trippel
De cor alaranjada, tem espuma densa e duradoura. A receita inclui casca de laranja-da-terra e semente de coentro.

Backer Medieval
Inspirada nas bebidas feitas por monges belgas, é dourada, tem espuma cremosa e leva maltes especiais que lhe garantem sabor suavee adocicado.

Áustria Amber
Tem tonalidade avermelhada e recebe adição de malte torrado. Apresenta leve paladar de café e aroma de cereais.

Falke Vivre pour Vivre
Com aparência rosada e paladar marcadamente ácido, tem notas frutadas. Feita com jabuticaba, é a mais cara das marcas mineiras: chega a custar 200 reais.

Wäls Brut
Produzida a partir do mesmo método do champanhe, é dourada e translúcida, com aromas que remetem ao vinho branco. As garrafas descansam por pelo menos nove meses, sendo giradas duas vezes ao dia, antes de chegar ao mercado consumidor.

Onde provar

• ADRIANO IMPERADOR DA CERVEJA
Rua Cristina, 1270, Santo Antônio, ☎ 3586-9066.

• CAFÉ VIENA BEER
Avenida do Contorno, 3968, Funcionários, ☎ 3221-9555. www.cafeviena.com.br.

• CELTIC IRISH PUB
Rua Rio Verde, 253, Anchieta, ☎ 3227-1072. www.celticpub.com.br.

• CLUBE DA CERVEJA 201
Rua Custódio Maia, 201, Água Branca, Contagem, ☎ 9590-2935.

• CULT CLUB CINE PUB — CCCP
Rua Levindo Lopes, 358, Savassi, ☎ 3582-5628.

• EMPÓRIO SERAFINA
Rua Marília de Dirceu, 192, Lourdes, ☎ 2127-1080.

• MELLO PIZZARIA
Rua do Ouro, 331, Serra, ☎ 3221-4022.
Avenida Professor Mário Werneck, 1055, Buritis, ☎ 3568-1844.

• REDUTO DA CERVEJA
Avenida Álvares Cabral, 1030, loja 6, Lourdes, ☎ 2515-1770.
Rua Guaicuí, 660, loja 15, Luxemburgo, Woods Shopping, ☎ 2511-9680.Rua Pium-í, 570, Sion.www.redutodacerveja.com.br.

• RIMA DOS SABORES
Rua Esmeralda, 522, Prado, ☎ 3243-7120. www.rimadossabores.com.br.

• SEU ROMÃO
Rua São Romão, 192, Santo Antônio, ☎ 3786-4929. www.seuromao.com.br.

• STADT JEVER
Avenida do Contorno, 5771, Savassi, ☎ 3223-5056.

Para beber em casa

• CHURRASCO GOURMET
Alameda da Serra, 1033, Vale do Sereno, Nova Lima, ☎ 3654-2145;
Avenida Aggeo Pio Sobrinho, 60, lojas 2 e 3, Buritis, ☎ 3386-6805.

• DRIK VINHOS E CERVEJAS ESPECIAIS
Avenida Álvares Cabral, 1315, Lourdes, ☎ 3646-5110.

• EMPÓRIO SANTA TEREZA
Rua Salinas, 1622, Santa Tereza, ☎ 3468-6637.

• MAMÃE BEBIDAS
Avenida do Contorno, 1955, Floresta, ☎ 3213-9494;
Rua Patagônia, 642, Sion, ☎ 3213-9494.

• MR. BEER
Boulevard Shopping, ☎ 4141-4009;
Ponteio Lar Shopping, ☎ 8891-2240.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Estamos literalmente no Ar

Confira a matéria da revista de bordo da Gol, Linhas Aéreas. Foi muito bem escrita por Cacá Amadei com fotos de Claus Lehmann. Publicamos aqui o texto completo com apenas algumas fotos. Para ler, clique sobre o texto abaixo e boa leitura!